Um olhar sobre o Uruguai
Projeto do governo promove inclusão digital de alunos e professores
Tive a oportunidade de conhecer Roberto Elissalde, Diretor dos Projetos de Tecnologia do Ministério de Educação do Uruguai, durante o Fórum de Educação da Região Metropolitana de Campinas.
Compartilhou com a platéia de mais de mil professores, a maravilhosa e corajosa experiência no uso das TCIs (tecnologia, comunicação e informática) e no processo de alfabetização digital de seu país. O governo do Uruguai adotou o modelo UCA (um computador por aluno), intitulado Projeto Ceibal (Conectividade de Educação Básica para a Aprendizagem On-line). O grande mote é promover a inclusão digital, permitindo acesso universalizado aos alunos, melhorando a qualidade do ensino, inclusive o desempenho escolar. O projeto, audacioso, começou em 2007 e conclui-se no primeiro semestre de 2009. Para entendermos a dimensão dessa ação vale a pena lembrar que esse país irmão tem apenas 300 mil alunos em idade do Ensino Fundamental e que o governo uruguaio utilizou recursos próprios para a compra dos mini-notebooks e demais ações agregadas.
Utilizando software livre, o novo recurso didático tem editor de texto, calculadora, filma, fotografa, aplicativos educacionais e acesso a internet. Outro ponto fundamental é que o equipamento para manter sua vida útil precisa ser logado na rede do governo (escola) pelo menos uma vez ao mês. Isso garante valor agregado ao mini-notebook como recurso educacional, mas sem valor de mercado. Uma vez fora da rede, ele simplesmente não funciona. Essa ação é preventiva e garante a segurança dos alunos contra roubos e demais danos dessa natureza.
O fato é que em 2007, a primeira cidade do interior do Uruguai, Villa Cardal, recebeu a primeira leva de notebooks e, apesar de ainda ser muito cedo para validar resultados, os impactos já são perceptíveis. Melhora da auto-estima e do envolvimento dos alunos, mudança de comportamento do professor, a inclusão digital da família do educando, a redução da evasão escolar, a melhora da infra-estrutura das telecomunicações e acesso web do país como um todo, a criação de empregos e melhora da qualificação profissionais do segmento de TI, entre outras. Segundo Elissalde a motivação e o envolvimento dos alunos é latente. Os professores, por sua vez, acabaram cedendo aos apelos sedutores das TCIs e estão buscando aperfeiçoar sua prática pedagógica para o uso das ferramentas, com o apoio do Sindicato dos Professores. A família dos alunos, aos poucos, está se incluindo digitalmente. É o pai, a mãe, até os avós que querem descobrir como “isso funciona”. Houve um maciço investimento do segmento privado nas telecomunicações gerando mais empregos, inclusive de profissionais para suporte técnico dos pequenos aparelhos. Enfim, fiquei encantada e esperançosa... Ansiosa para conhecer os resultados que poderão ser medidos entre 3 e 5 anos. Estaremos acompanhando e torcendo para que a idéia “vingue”.
Quanto à aplicabilidade aqui no Brasil, sabe-se que já existem projetos-pilotos acontecendo. Devemos aguardar as considerações e dados levantados nesses projetos, para então podermos avaliar a aplicabilidade ou não por aqui. No entanto, ao menos por hora, apostaria no projeto UCP – Um computador por professor - para o nosso país. Com dimensões mais modestas, mas infinitamente importantes, poderia finalmente colocar todo o grupo de colegas de profissão, do lado de trás do computador para melhorar significativamente sua performance à frente dos alunos.
Agradeço ao Professor Roberto Elissalde por todas as informações e paciência de ter me explicado tudo o que tive curiosidade de conhecer e pelos links que me enviou para consulta que disponibilizo aqui para vocês.
Até a próxima edição!
http://www.fedaro.info
http://www.ceibal.edu.uy/
http://proyecto-ceibal.blogspot.com/
http://rapceibal.blogspot.com/